“Escrever um testamento” certamente não está na lista de coisas que uma pessoa jovem está planejando fazer.
Muita gente enxerga testamento como coisa de gente idosa, pessoas ricas. Fora que pensar um testamento necessariamente inclui pensar sobre sua morte. E a falar de morte é quase um tabu na nossa sociedade.
Não encontrei nenhum dado oficial sobre a parcela de jovens brasileiros que tem testamento. Uma reportagem do portal G1, publicada em 13/09/26, informa que no Reino Unido 20% dos jovens até 24 anos tem testamento; 33% dos jovens até 34 anos tem. E entre as pessoas com mais de 55 anos, o número chega a 56%.
Parece que é uma parcela muito maior do que a do Brasil. A lei brasileira permite testamento de qualquer pessoa com 16 anos ou mais e que esteja em condições de saúde física e mental adequadas para expressar sua vontade.
Minha impressão é de que a maioria das pessoas acreditam que o patrimônio adquirido não justifica fazer ou pensar em testamento. A verdade é que sempre há o que ser incluído no testamento. Pequenos valores aplicados, animais de estimação. Se você tem uma conta na rede social relevante, quem deve administrar? Antigamente isto não era considerado. Você tem algum desejo especifico em relação ao seu funeral? O testamento é a forma mais segura de registrar seu desejo.
No meu testamento – aqui não vale “casa de ferreiro, espeto de pau” – eu deixei expressamente o que eu não quero no meu futuro funeral.
Os problemas de uma morte precoce já são importantes o suficiente para você deixar seu testamento pronto. E a dificuldade de uma morte sem testamento só fica evidente quando chega o momento.
Claro que a questão patrimonial é o que primeiro pensamos. Mas testamento geralmente aliviam muito a questão emocional de lidar com a morte.
Todos terão certeza do que você escolheu. Todos ficarão tranquilos que não estão decidindo por você.
Testamento é uma maneira de tornar mais fácil a vida das pessoas que você gosta. O peso de escolher por alguém que não consegue mais se expressar é grande. Falo isto por experiência própria.
E se seu foco é na questão patrimonial, considere fortemente fazer um testamento se você não tem filhos. Tenho várias razões para defender a importância de um testamento e esta situação – pessoa sem filhos – é um dos maiores exemplos de como a vontade da pessoa falecida não será cumprida. Em outras ocasiões falo sobre isto.
HEITOR QUIRINO DE SOUZA
ADVOGADO