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direito do trabalho

DicasDireito do Trabalhador

O pedido de demissão pressupõe uma decisão livre do trabalhador.

Por Quirino e Paixão setembro 9, 2026
Escrito por Quirino e Paixão

Parece óbvia. Mas é justamente isto que importa enfatizar: não basta que exista um documento assinado pelo empregado. É preciso que tenha existido, de fato, vontade de pedir demissão.

E não existe vontade livre quando o trabalhador pede demissão porque foi pressionado, ameaçado, constrangido ou colocado em uma situação na qual permanecer no emprego se tornou insustentável.

É preciso lembrar que empregado e empregador não estão em posição de igualdade dentro da relação de trabalho. O empregador detém evidente ascendência hierárquica sobre o empregado.

Esse poder, entretanto, encontra limites.

O empregador não pode utilizar sua posição para pressionar o empregado a pedir demissão e, depois, pretender tratar aquele documento como se representasse uma decisão espontânea do trabalhador.

A manifestação de vontade é elemento essencial para a validade do ato.

Mas é importante compreender que a coação, dentro de uma relação de emprego, não precisa acontecer por meio de uma ameaça explícita.

É possível que ela apareça de forma muito mais sutil.

Pressões reiteradas para que o trabalhador deixe a empresa. Ameaças de justa causa. Humilhações. Perseguições. Mudanças injustificadas nas condições de trabalho. Isolamento. Cobranças abusivas. Ou mesmo a criação deliberada de um ambiente tão hostil que o empregado passe a enxergar o pedido de demissão como sua única alternativa.

Em todas essas hipóteses existe uma pergunta que precisa ser respondida:

Aquele trabalhador realmente queria pedir demissão ou foi levado pelo empregador a fazê-lo?

Essa análise não pode se limitar à existência de uma carta de demissão.

O documento é uma prova. Não é uma verdade absoluta.

É necessário analisar o contexto em que foi produzido: o comportamento do empregador nos dias ou semanas anteriores, as conversas mantidas com o empregado, mensagens, testemunhas, ameaças eventualmente realizadas, alterações no ambiente de trabalho e, principalmente, a sequência dos acontecimentos que culminaram no pedido de desligamento.

Isso porque pode existir uma enorme diferença entre assinar um pedido de demissão e querer pedir demissão.

Se o empregador cria deliberadamente uma situação de pressão e consegue, por meio dela, fazer com que o trabalhador formalize seu desligamento, não pode depois se beneficiar da própria conduta para deixar de arcar com as consequências de uma dispensa.

Por isso, demonstrado que o pedido de demissão foi resultado de pressão, assédio, ameaça ou outra circunstância suficientemente grave para comprometer a liberdade de decisão do empregado, é possível invalidar o ato e suas consequências.

A consequência jurídica dependerá das circunstâncias concretas. O caso poderá conduzir ao reconhecimento de uma dispensa sem justa causa ou, estando presentes os requisitos legais, até mesmo da rescisão indireta prevista no art. 483 da CLT.

O ponto central, entretanto, é mais simples: pedido de demissão pressupõe vontade de se demitir.

Na dúvida, converse com seu advogado de confiança.

Equipe Quirino e Paixão Advogados

setembro 9, 2026 0 comentários
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Dicas

As principais regras das FÉRIAS

Por heitor janeiro 21, 2022
Escrito por heitor

O verão é um excelente período para se tirar férias, não é mesmo? Além do calor, propício para viagens e atividades ao ar livre, para trabalhadores com filhos esta época do ano coincide com férias escolares.

Assim, para quem pode e está prestes a usufruir das férias, preparamos esta postagem com as principais regras sobre este direito dos trabalhadores.  Vamos lá:

Após 12 meses de trabalho, o empregado adquire o direito às férias de 30 dias. É por isto que estes 12 meses são chamados de “período aquisitivo”.

Algumas situações podem fazer com que o trabalhador perca o direito de férias. A mais comum é quando o empregado ficou afastado por motivos de saúde por período igual ou superior a 6 meses.

O empregador tem a obrigação de informar ao empregado, com 30 dias de antecedência, qual será o período de gozo das férias. É sempre saudável uma relação de emprego em que possa ser possível acordar qual será a data das férias, mas, pela regra, quem decide quando será é o patrão. A exceção é para trabalhadores menores de 18 anos, que devem sair de férias em conjunto com as férias escolares.

As férias, você sabe, são pagas com um adicional de 1/3. Se seu salário é variável, como por exemplo por recebimento de comissão, o valor das férias será calculado considerado a sua média de recebimento nos últimos 12 meses. Nesta média também deve ser computado o que você recebeu de hora extra, adicional noturno e/ou periculosidade.

No valor das suas férias serão descontados imposto de renda e contribuição previdenciária (INSS). Também serão abatidos verbas como pagamento de pensão, benefícios com custo compartilhado (vale alimentação, plano de saúde, etc). As faltas não justificadas também poderão ser descontadas.

Por falar em faltas injustificadas, caso o trabalhador tenha mais de 5 faltas injustificadas, as férias deverão ser proporcionalmente reduzidas. Quanto maior o número de faltas injustificadas, menor serão as férias.

O pagamento das férias deve ser realizado com 2 dias de antecedência em relação a data prevista para início do tão esperado período de descanso. Caso o empregador perca este prazo, a punição prevista é o pagamento em dobro das verbas.

Para quem está precisando de uma grana extra, existe a possibilidade de venda do direito de férias. O trabalhador opta por trabalhar no período que estaria de férias, sendo remunerado por isto. Dos 30 dias que tem direito, a legislação permite a venda de 10 dias. O patrão deve ser comunicado antes do início das férias e o ideal é que o trabalhador avise com 15 dias de antecedência, considerando como data final o fim do período aquisitivo.

Uma última regra importante diz respeito ao fracionamento das férias. Desde 2017, com o advento da Reforma Trabalhista, as férias poderão ser divididas em 3 períodos. Um deles deverá ser de pelo menos 14 dias e os outros dois deverão ser de ao menos 5 dias. Exemplos: a) férias divididas em 2 períodos de 15 dias; b) um período de 14 dias, um segundo período de 7 dias e um último de 9 dias; c) Um período de 14 dias, um segundo de 5 dias e o último de 11 dias.

 

Como dito, estas são as principais regras sobre o direito de férias. Se você tem mais alguma dúvida sobre as regras de Direito do Trabalho, seja na condição de empregador ou empregado, entre em contato conosco.

Aqui no escritório temos uma advogada especializada na área. Flávia Braga é a responsável pela área trabalhista. Só mandar mensagem ou ligar e combinar um bate-papo. Será um prazer!

 

Equipe Quirino e Paixão Advogados

janeiro 21, 2022 0 comentários
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Dicas

O TETO PARA INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL TRABALHISTA

Por heitor dezembro 6, 2021
Escrito por heitor

               A Reforma Trabalhista do ano de 2017 alterou a CLT e criou regra específica que limita o valor das indenizações por dano moral no âmbito de uma relação de emprego.

Antes da Reforma não havia limitação do valor da indenização e os juízes definiam qual seria a quantia de acordo com análise de cada caso.

A regra trazida pela Reforma Trabalhista estabeleceu:

I – ofensa de natureza leve, até três vezes o último salário contratual do ofendido;

II – ofensa de natureza média, até cinco vezes o último salário contratual do ofendido;

III – ofensa de natureza grave, até vinte vezes o último salário contratual do ofendido;

IV – ofensa de natureza gravíssima, até cinquenta vezes o último salário contratual do ofendido.

 

Esta limitação da indenização por dano moral trabalhista vem sendo criticada desde sua entrada em vigor. Entidades como a Anamatra (Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho), OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e outras entidades de classe questionaram no STF a constitucionalidade desta norma, solicitando que o Tribunal declarasse a impossibilidade de limitação da indenização.

Na última semana de outubro deste ano o julgamento da questão foi levado ao plenário e havia grande expectativa quando ao resultado. Mas um pedido de vista do Ministro Nunes Marques adiou (sem data marcada) a definição. Afinal, valerá ou não valerá o critério previsto na Reforma Trabalhista?

 

Recentemente o STF analisou outros itens da Reforma Trabalhista e decidiu que algumas regras não podem ser aplicadas. A principal é que diz respeito à sucumbência, nome dado ao valor pago pela parte perdedora no processo – relativos às despesas do processo, honorários de peritos e advogados.

O STF declarou inconstitucional – e, portanto, sem validade – os artigos da Reforma Trabalhista que exigiam do trabalhador o pagamento das despesas da prova pericial, caso o resultado fosse prejudicial aos seus argumentos.

Prevaleceu o entendimento de que estas regras impediam ou limitavam o acesso dos mais pobres ao Judiciário

dezembro 6, 2021 0 comentários
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Dicas

Sou obrigado a vender minhas férias?

Por heitor março 9, 2020
Escrito por heitor

Férias: o tão sonhado descanso após um período intenso de trabalho. Mas você provavelmente já ouviu falar de alguém que vendeu as férias; aí vem a dúvida: será que sou obrigado a fazer isso?

O direito às férias tem previsão na Constituição Federal e é regulado pela Consolidação das Leis do Trabalho – a famosa CLT.

A princípio, o empregado usufrui, a cada 12 meses, de 30 dias de descanso remunerado; contudo, tal número de dias pode sofrer modificações, a depender do número de faltas injustificadas durante o período de trabalho. Por isso, vale ficar atento à tabela postulada pelo artigo 130 da CLT:

 

  • Até 5 faltas: 30 dias de férias
  • De 6 a 14 faltas: 24 dias de férias
  • De 15 a 25 faltas: 18 dias de férias
  • De 24 a 32 faltas: 12 dias de férias
  • Mais de 32 faltas: sem direito a férias

 

É bom lembrar que o empregado também tem a opção de parcelar suas férias em até três períodos, devendo um deles durar, no mínimo, 14 dias e os outros dois não podem ser inferiores a 5 dias.

Já aqueles que optam por vender as férias, devem ter em mente que a legislação permite apenas a venda de 1/3 do período de descanso. Com isso, o legislador visa a proteção da saúde mental e física do trabalhador, entendendo que isso não pode ser deixado de lado.

A legislação trabalhista permite que o empregador decida o melhor momento para a concessão das férias; entretanto, no que tange à venda das férias, tal decisão compete única e exclusivamente ao empregado. O máximo que o empregador pode fazer é propor a venda ao trabalhador, o qual deve ter ciência de que é livre para dizer não e usufruir plenamente o seu direito ao descanso.

 

Manuela Marques

Estagiária de Direito

março 9, 2020 0 comentários
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